Dramaturgia Corporal

O entendimento de dramaturgia corporal com o qual trabalho é explicado pela compreensão de que o movimento corporal está na base dos processos mentais, assim como a memória e a cognição. O sistema sensoriomotor aciona processos mentais quando nos movemos, quando pensamos em nos mover, e mesmo quando vemos outra pessoa em movimento. Somos uma unidade corpomente.

Desta maneira, compreendemos que forma e significado estão intimamente relacionados no corpo. O corpo se dá a ler como um texto. Ele é mídia de si mesmo, comunica suas próprias questões e está em constante processo de troca com o ambiente.

A Técnica Klauss Vianna trabalha com instruções ligadas ao funcionamento do corpo, na busca de acionar movimentos, provocar novas conexões e estados corporais.

Acredita-se que estas instruções, ao provocar o movimento e servindo de guia para este, podem promover o acesso a novas conexões neurais que resultam em novas possibilidades de movimento. O novo aparecendo como novas possibilidades de organização do corpo, num dado momento.

Como, ao mobilizar músculos e articulações, estamos acionando percepção, memória, pensamento, buscamos um estado de atenção presente que permite, durante uma exploração ou pesquisa de movimentos, o reconhecimento das alterações de estado corporal e dos significados que emergem, como material de trabalho.

Esta forma de dramaturgia é própria ao corpo, que organiza sua comunicação no processo de troca com o ambiente, sem linearidade, na emergência de significados enquanto nos movemos.

 “É assim que a imaginação parece se tornar matéria no corpo em movimento. Ao nos movermos, estamos criando comunicação, informação, expressão. Movimento é imaginação corporificada.” (NEVES, 2008, p.75)

NEVES, Neide. Klauss Vianna – estudos para uma dramaturgia corporal. São Paulo: Cortez Editora, 2008.

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